quinta-feira, fevereiro 12, 2009

DE MÃE PARA MÃE.....

Recebi por e-mail de um amigo.
"Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a
transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho,
das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.
Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc... Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.
Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.
Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...
Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu? que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem. No cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas 'Entidades' que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar 'Os meus direitos' !'
Faça circular este manifesto! Talvez a gente consiga acabar com esta (falta de vergonha na cara) inversão de valores que assola o Brasil.
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Recebi o texto acima de um amigo que me pediu para circular porque ficou indignado. Preocupam-se com os direitos humanos do assassino, mas e os da vítima...? Quero no entanto acrescentar que não se pode deixar de - pelo menos tentar - estar no lugar de cada uma dessas mães. É um texto para reflexão.

7 comentários:

Letícia Losekann Coelho disse...

Nossa... é muito triste esse e-mail Odele, de cortar o coração! O grito dessa mãe é mais do que justo!
Beijos menina

Elvira Carvalho disse...

Eu já comentei este post nalgum lado. E pensava que tinha sido aqui. Só que não vejo cá e das duas uma, ou foi noutro blog, ou o comentário por qualquer razão que me ultrapassa não ficou registado.
O post é chocante e mostra duas visões diferentes. A mãe da vítima tem muita razão, em estar revoltada. Afinal os delinquentes assaltam e matam sem qualquer pudor, os pobres que nada mais fizeram do que estar presentes na hora errada. No outro lado temos a visão da mãe do assassino, também ela uma vítima do amor que lhe vai no peito. Afinal, por muito mau que um filho seja, coração de mãe sempre arranja desculpa.
Um abraço e bom fim de semana

peciscas disse...

Este é um texto dilacerante, por vãrios motivos.
Em primeiro lugar, porque mostra a dor e a revolta de uma mãe que não compreende que um delinquente tenha uma compreensão social que o seu filho, injustamente roubado à vida não tem.
E compreenderei sempre este tipo de revoltas, porque imagino que nada apaga a perda de um ente querido.
Mas também tenho de compreender a dor de uma mãe que vê um filho que, eventualmente criou com amor (não sei se assim terá sido) fugir para a senda do crime e ficar nas fímbrias da marginalidade.
Penso, firmemente, que um delinquente, designadamente um assassino, deverá sempre ser punido exemplar e justamente.
Mas também penso que a sociedade tem de fazer algo para que , pelo menos alguns destes bandidos possam ser "reciclados" e deixarem de constituir uma ameaça permanente para os inocentes e indefesos. Porque, se tal recuperação não for possóvel, então a sociedade terá que retirar esses indivíduos do nosso convívio. Por uma questão de defesa.

Ana Martins disse...

Querida amiga Odele,
que carta tão triste, que dor tão grande esta MÃE tem, é incompreensivel como em pleno sec.XXI se cometem tantas injustiças e há tanta falta de sensibilidade!

Beijinhos querida amiga para si e Flavinha.

Fatyly disse...

Tocou-me muito e subscrevo as palavras do Peciscas

Vou levar comigo!

Beijos

Fatyly disse...

Vou transcrever a parte final que acrescentaste.

Comovente porque conheço duas mães que vivem esse drama há mais de 6 anos:(

Beijocas

Fatyly disse...

Odele, para desanuviar:):) tens lá algo para ti:)

Beijocas