sábado, outubro 27, 2007

A POSSIBLE SOLUTION - "Make more noise!"

Um dos muitos acampamentos de desabrigados de DARFUR. Milhões deixaram suas casas e vivem assim, como vemos aí na foto. Milhares morreram e ainda morrem vítimas de fome e violência política.

Quando leio e vejo noticias e imagens sobre a crise humanitária em DARFUR, pego-me refletindo sobre qual seria o limite do sofrimento humano. Sempre achamos que nossa dor é a maior do mundo mas, se lançarmos um olhar atento ao redor, veremos que existem dores e sofrimentos maiores e mais profundos que os nossos. Existe uma frase da qual gosto de me lembrar de vez em quando:

Você nunca está tão bem que não precise de ajuda, e nunca está tão mal que não possa ajudar alguém”

Quando leio e vejo notícias e imagens sobre DARFUR, mais uma vez me convenço de que não podemos calar sobre injustiças e atrocidades, quer elas aconteçam conosco ou com nossos irmãos. Temos sim que DIVULGAR.

No caso de DARFUR, muitas pessoas estão se engajando, tentando chamar a atenção para aquela parte do mundo, onde o pior ao ser humano vem acontecendo, mas que até agora, as autoridades, têm se mostrado incompetentes para dar fim ao conflito e devolver às pessoas um mínimo de dignidade de vida.

Não deveria ser assim. Não deveríamos precisar fazer qualquer tipo de movimento para que situações de sofrimento, abandono e desrespeito com qualquer pessoa ou em qualquer parte do mundo, mereçam a atenção de quem teria por obrigação ver isto por si só e agir RÁPIDO. Mas infelizmente é assim. Precisamos nos mobilizar para que as autoridades, confortavelmente instaladas em seus gabinetes luxuosos, cumpram com suas obrigações de defender e proteger pessoas.

Vi há questão de dias, um vídeo no You Tube em que o Dalai Lama, falando sobre DARFUR sugere que TODOS os meios de comunicação, divulguem e tomem ações no sentido de chamar a atenção para DARFUR que nas palavras dele, é uma região onde apesar de há tempos estar passando por atrocidades, não vem recebendo a atenção que deveria das autoridades.

Existem blogs que atuam no sentido de concretamente ajudar DARFUR. Sugiro que prestigiemos esses blogs, participando sempre de suas iniciativas, assinando o que tiver que assinar, colaborando assim de forma concreta com ações que poderão levar as autoridades a fazerem a sua parte, a AGIR.

Um dos blogs que tenho visto trabalhar por DARFUR, é o EU ESTOU AKI, de Elsa Sequeira. Vale a pena colaborar com Elsa e com quem mais estiver fazendo barulho por Darfur, pois “fazer barulho”, pode ser sim, uma possível solução.

Um outro endereço com sugestões de ajuda para DARFUR é este: (em inglês)


Um abraço.

sexta-feira, outubro 19, 2007

AQUILO QUE ERA IMPOSSÍVEL FAZER.

Alguém disse que fazer aquilo era impossível, mas ele, com uma risadinha, replicou que talvez fosse, mas que não diria isso antes de tentar. Então, ele se lançou à tarefa com um esboço de sorriso no rosto. Se estava preocupado, não demonstrou. Começou a cantar enquanto trabalhava naquilo que era impossível fazer, e fez. Alguém zombou: "Você não conseguirá fazer isso, pelo menos ninguém nunca fez”. Ele, porém, arregaçou as mangas, e, num piscar de olhos, lançou-se à tarefa. De queixo erguido e com um pequeno sorriso, sem duvidar ou vacilar, ele começou a cantar, enquanto trabalhava naquilo que era impossível fazer, e fez.

Milhares de pessoas dirão a você que fazer aquilo é impossível, milhares profetizarão seu fracasso, milhares lhe apontarão um por um, todos os perigos à espreita. Mas se você arregaçar as mangas e com um pequeno sorriso lançar-se à tarefa, se começar a cantar enquanto trabalha naquilo que é impossível fazer, você fará.

Edgar A.Guest

segunda-feira, outubro 01, 2007

VENCENDO O MEDO.

Passava da meia noite quando, como de costume, o trem parou na estação daquela cidadezinha do interior, onde a adolescente morava. Tinha sido assim nos últimos tempos, desde que a mãe, com sérios problemas financeiros, se mudara para aquele fim de mundo e ela, após mais um dia de trabalho e das aulas do curso de secretariado, que freqüentava das sete às onze da noite, retornava para casa. Naquela noite não foi diferente. Na minúscula estação de trem, também como de costume, desceram poucas pessoas, não mais que cinco ou seis, e rapidamente sumiram na noite escura feito breu. E como de costume ela sentiu medo.

Como sempre fazia, ela olhou em volta para ver se o irmão, caso não tivesse outra vez adormecido pesado, estaria ali à sua espera, para acompanhá-la até em casa. Naquela noite, a exemplo de muitas outras, o irmão não estava lhe esperando. Mas ela entendia, afinal, não devia mesmo ser fácil sair debaixo das cobertas quentinhas, e se aventurar na noite escura e fria, para esperar alguém numa estação de trem, deserta e tão ou mais fria que a própria noite. Claro que ela entendia. Mas sentia medo.

Naquela noite, mais do que em todas as outras ela precisava de companhia e proteção para vencer a distância, que não era pequena, entre a estação de trem e sua casa. E por que naquela noite mais do que nas outras? Por que naquela noite mais do que nas outras, ela sentia medo de caminhar sozinha na noite escura? Pensou que talvez fosse porque somos assim: Há dias em que nos sentimos mais fracos, mais frágeis, mais vulneráveis, mais carentes, mais necessitados de colo. Enquanto esses pensamentos lhe ocupavam a mente, ela já se botou a caminhar, enfrentando o medo que deixava seu coração aos pulos e quase lhe paralisava as pernas. Caminhava rápido, quase corria, e já havia percorrido boa parte do caminho, quando teve a impressão de que ouvia passos atrás de si. Não enxergava coisa alguma, tamanha era a escuridão das ruas sem asfalto e sem iluminação. Não podia parar para se certificar de nada, pois temia ser atacada por quem estivesse lhe seguindo a passos curtos. Meus Deus, que medo.

Quem quer que fosse que estivesse lhe seguindo, parecia gostar de mantê-la assustada, pois se quisesse já a teria alcançado. Quem quer que fosse, estava tão próximo dela, que já era possível lhe ouvir a respiração ofegante. Seria impressão dela ou a criatura parecia respirar ruidosamente de propósito, para não lhe deixar dúvida de sua proximidade e intenção de perseguí-la...? De repente, quem quer que fosse, correndo, lhe passa ao lado e depois de lhe ouvir ainda os passos e a respiração ofegante por alguns minutos, tudo silencia. Cadê a criatura...? Medo, muito medo.

Ela continuava a correr e já avistava sua casa, a única da rua com a luz acesa, quando ouviu um som indecifrável que parecia vir de uma das casas pelas quais ela acabara de passar correndo. Alguém gemia? Ou será que ria..? Não importava, precisava chegar em casa, haveria de chegar, estava perto, mais um pouquinho e chegaria. Já avistava o portão de sua casa e já se preparava para abri-lo, quando uma voz em tom sinistro, lhe disse: - Espere por mim! De novo, o medo quase a paralisou. Mesmo assim, abriu o portão e entrou. Quando se preparava para fechá-lo, um fósforo aceso por seu perseguidor, ali, rente, colado a ela, lhe permitiu ver seu rosto. Era o irmão, que numa estúpida brincadeira de mau gosto lhe assustara da estação de trem até em casa. Ela esperou que ele se refizesse do acesso de riso que lhe acometeu e brigaram feio. Ela só não rompeu relações com ele porque precisava que nos dias seguintes, o irmão estivesse lá, na estação de trem a lhe esperar.

O sono lhe demorou a chegar naquele resto de noite, mas em nenhum momento ela pensou em desistir do trabalho e dos estudos. Em nenhum momento ela pensou em desistir de seus sonhos por medo. Acabou adormecendo pensando numa frase que havia lido e que já não se lembrava onde nem quando, mas que dizia: “Coragem não é a ausência de medo, é você agir, apesar do medo”. E dessa frase ela fez seu lema de vida. Depois dessa noite e dessa experiência de puro e intenso medo, ela passou a considerar-se mais corajosa, mesmo quando a vida lhe colocava diante de situações em que sentia medo. E desde então, antes de ficar paralisada, antes de ficar sem ação, ela relembra e repete para si mesma a frase: “Coragem, não é a ausência de medo, é você agir, apesar do medo”. E ela vai aonde tiver que ir, e faz o que tiver que fazer. Vencendo o medo.