quinta-feira, março 29, 2007

POR RELAÇÕES MAIS DELICADAS

Tempos atrás telefonei para a casa de Dona Elza, para passar a ela uma informação que não interessa aqui comentar.

Um homem atendeu ao telefone. Disse que era o marido. Pedi para chamar Dona Elza, o que ele fez imediatamente. E aos gritos:

- Elzaaaa!!!

Eu espero.

De novo o homem:

Elzaaaa!!! – Você está surda mulher?! Telefone!!!

E a mulher vem falar comigo, sem fazer qualquer menção à forma indelicada como foi tratada pelo marido.

Não conheço Dona Elza, mas fiquei com pela dela. Que desagradável ser tratada assim pelo marido, companheiro, namorado, filho, amigo ou quem mais nos seja próximo.

Quando se trata de um casal, pessoas que imaginamos um dia foram apaixonadas, não deixa de ser triste. Vejo com freqüência pessoas casadas já há algum tempo. Andam juntas, mas não se tocam, não se acariciam e não se vê nelas mais qualquer demonstração de afeto.

Não se pode ser romântico a ponto de achar, que o amor entre duas pessoas terá sempre a excitação e o encantamento dos primeiros tempos. Sei que não é assim, mas me incomoda ver duas pessoas antes apaixonadas, passarem a se tratar com frieza e rispidez.

Salvo raras exceções, a rotina imposta a um casamento acaba com o namoro e com o romantismo. Quando chegam os filhos, a mulher se ocupa com eles e o marido acha que está sendo esquecido, ou ficando em segundo plano. Isto para citar apenas alguns motivos domésticos para a quebra do antigo encantamento, mas tantas outras coisas podem esfriar a relação de um casal: Desemprego, problemas financeiros, estresse no trabalho, etc.

Ainda assim, com todos os problemas que possamos ter, ou talvez por isso mesmo, as relações entre as pessoas deveriam ser mais leves, mais delicadas, mais generosas e, sobretudo, mais amorosas.

quinta-feira, março 22, 2007

NÃO SE RECUSA UM ABRAÇO

Sabrina, uma das fisioterapeutas de minha filha Flavia, é uma doce pessoa. Dia desses, ela, sorridente como sempre, me disse que se abraçarmos pelo menos três pessoas por dia, estaremos colaborando para que nosso dia transcorra melhor. E eu que adoro um carinho, me ofereci no ato para receber dela o primeiro abraço do dia. Indiferente, Lúcia, a auxiliar de enfermagem nos observava. Quando Sabrina foi tentar abraçá-la também, Lúcia se retraiu e disse demonstrando um certo desconforto:

- Pode parar! Eu não acredito nessas coisas e não quero abraço nenhum!

Lamentei por Lúcia ter desperdiçado a oportunidade de receber um abraço e depois fiquei pensando como algumas pessoas têm mesmo dificuldade de demonstrar e receber afeto. A pessoa é boa, é honesta e até gentil, mas nunca telefona para saber como o outro está, para simplesmente dizer que está com saudades, pode até estar, mas não diz porque é travada quando se trata de demonstrar o que sente. Abraçar então, nem pensar.

Quem não se deixa abraçar está perdendo o benefício do toque, da troca de calor. Abraçar é bom demais. Através de um abraço podemos dizer muita coisa sem usar palavras. Abraçamos para demonstrar alegria, para trocar energia. Para apoiar, para consolar, para comemorar, para dar segurança, transmitir confiança, demonstrar solidariedade e também saudade. Abraçamos para demonstrar, carinho, amor, amizade. Abraço. Eu quero é mais.

domingo, março 18, 2007

DEPOIS....

Todos estamos muito ocupados
Não temos tempo
Temos pressa, muita pressa.
Os contatos antes reais, hoje são,
Quando muito, v i r tu a i s.
Trocamos muitos e-mails e por isso,
Não conversamos mais...
E o encontro - ou reencontro
Vão ficando pra depois...

O drinque, o cafezinho,
O fazer nada juntos...
Quem sabe outro dia?
O olho no olho, o toque na pele,
O beijo no rosto, o abraço gostoso,
O cheiro da gente...
Ah! hoje não dá tempo,
Fica pra depois...

Fica também pra depois
A troca de afeto ao vivo
E a delícia que é ouvir
O som de uma voz amiga...

E nessa pressa interminável
Nos perdemos um ao outro
Depois....
Estará você aí?
E eu...
Será que estarei aqui?....


Odele Souza
Junho de 2003

sábado, março 17, 2007

LEMBRETE

Não deixe portas entreabertas
Escancare-as Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez.

(Calçada de Verão, Flora Figueiredo)

quinta-feira, março 15, 2007

DORMINDO JUNTOS

Dia desses, eu estava conversando com minha amiga Joana na casa dela, quando o filho, um rapaz de pouco mais de 20 anos, saiu do quarto com cara de bravo e gesticulando, fez psiu, pedindo silêncio para ela. Disse para a mãe falar mais baixo, para não acordar a namorada dele que àquela hora, por volta das 10 da manhã, ainda estava dormindo. É, no quarto dele.

Eu e Joana nos entreolhamos, surpresas com a “folga” do rapaz. Minha amiga ficou muito incomodada com a atitude do filho, até porque ela não gosta que ele traga a namorada para dormir em casa. E ainda ter que falar baixo para não acordar a moça? Era demais.

Umas duas horas depois os dois jovens saíram do quarto. O rapaz querendo agradar a namorada, lhe preparou um laudo café da manhã, com direito a pão fresquinho comprado na padaria da esquina, frutas e suco fresco de laranja. As cascas das frutas, como de costume, foram deixadas amontoadas na pia da cozinha. Joana respirou fundo e foi até a sala de refeições onde estava o casal e disse o que pensava para o filho. Onde já se viu ela ter que cochichar para não acordá-los? Onde ele pensava que estava, em um motel!?

O filho, constrangido por a mãe estar lhe repreendendo na frente da namorada, ficou furioso. A moça, calada estava, calada continuou. Como também de costume, ela se levantou da mesa sem recolher a louça suja, e seguiu o namorado a passos curtos. Joana continuou falando zangada com o filho, até que ele e a namorada entraram no elevador, onde, com certeza, após a porta se fechar, ele lhe pediu desculpas pela “grosseria” da mãe. A namorada ficou três meses sem aparecer na casa do rapaz e Joana deduziu que os dois passaram mesmo a dormir juntos num motel, já que o pai da moça não permitia que o rapaz dormisse com ela em sua casa.

Fico pensando neste comportamento dos pais. Me refiro aos homens. Sabemos, nós que temos filhos com vida sexual ativa, que os jovens desta nova geração têm relações sexuais com suas namoradas e que ambos consideram isso normal. Alguns namoram em motéis, outros, talvez para economizar, dormem juntos na casa do rapaz, raramente na casa da moça e isto porque raramente também o pai da moça permite.

Mas por que o pai não permite se no fundo, ele sabe que a filha vai dormir com o namorado na casa da mãe do moço? Tenho pra mim que o pai finge não saber para talvez se incomodar menos com a situação, porque a verdade é que muitos de nós pais e mães nos incomodamos sim, por ver nossos filhos e filhas dormindo juntos em nossas casas, como se fossem casados e não apenas namorados. E os pais continuam proibindo, as mães, mais boazinhas, vão permitindo. Às vezes, como minha amiga Joana fez naquele dia, rodam a baiana. O ideal seria encontrar um ponto de equilíbrio entre o modernismo dos jovens e o conservadorismo dos pais. E quem consegue?