quinta-feira, junho 26, 2008

A POR VEZES TÃO NECESSÁRIA SOLIDÃO.

Foto trabalhada por Isabel Filipe do blog Art&Design, de Portugal.

Há uma idéia geral de que solidão é sempre algo negativo, degradante e que deixa o ser humano isolado e à margem da vida. Mas qualquer que seja nossa atividade ou os relacionamentos que tenhamos, é importante de vez em quando ficarmos sozinhos, longe de todo e qualquer burburinho, longe da agitação. De vez em quando, todos precisamos de um pouco de silêncio, para nos recolhermos a nós mesmos e ficarmos ali quietinhos, sem ninguém por perto, a nos falar, a exigir nossa atenção. De vez em quando todos precisamos de um pouco de solidão.

Sem o silêncio e o recolhimento, muitos de nós, terá dificuldade para criar, imaginar, e dar vazão aos nossos sonhos. Existem variados motivos para esporadicamente queremos ficar sozinhos. Mas há que notar-se que a solidão em excesso, aquela solidão procurada e prolongada, pode nos causar sofrimento e até levar a uma depressão, mas de vez em quando, para muitas pessoas, a solidão pode ser mesmo uma necessidade.
De vez em quando eu gosto de ficar sozinha. E você, gosta pouco, muito, ou de nenhuma solidão?

sexta-feira, junho 13, 2008

COMO É BOM LER UMA BOA CRÔNICA!


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Importante e Urgente! - Peço aos leitores deste blog, principalmente meus amigos de Portugal, que entrem na roda a favor de Paula e seu filho João. Uma simples rampa no lugar de escadas, é só que eles pedem. Para saber mais, clique no blog da Fatyly.
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Além de escrever meus próprios textos aqui neste meu blog, e de apoiar outros que abordam direitos humanos, gosto de prestigiar meus amigos, gente boa e solidária que apoia a minha luta pela causa de minha filha Flavia e divulgam o blog FLAVIA, VIVENDO EM COMA, em links e textos.

É o caso de Leila Jalul - autora da crônica deste post. Além de ser procuradora aposentada da Unversidade Federal do Acre, Leila Jalul é uma cronista de mão cheia. Sou fã do que ela escreve. Leila não tem blog, mas suas crônicas podem ser lidas por exemplo nos blogs de

Altino Machado e Lima Coelho.
Obs: Talvez vocês desconheçam o significado de alguns dos termos usados por Leila em sua crônica. Mesmo os brasileiros, dependendo da região onde nasceram, por vezes desconhecem muitos termos usados de forma regional. São os chamados regionalismos, usados em uma região do país, mas desconhecidos de outras. Eu, sou Cearense, nordestina como Leila, e conheço - a maioria - dos termos usados por ela em seus textos. Para facilitar o entendimento de algumas palavras mais regionais, Leila fez um Glossário. Se precisarem, consultem.
Eu particularmente, gosto muito de conhecer palavras novas e me encanto com as diferenças existentes entre as culturas, diferenças estas presentes até no mesmo país, de região para região. Isto é algo que nos enriquece.

CHIQUINHA CORALINA MOREIRA.
Leila Jalul
Do livro SUINDARA - Página 36.

(para Glória Perez e Saramar Mendes)

Minha clientela, da outra esfera, não é fácil. Deixei-a de lado uns dias e já estão chegando as cobranças. Já apareceu aqui um sarará, vulgo Colorau.

- Falou do Camaleão, não é? Esqueceu de mim? - disse muito indignado.

- Acho ousadia você vir me tirar do sagrado direito de dormir. Não é assim, querido. O cavalo aqui tem outras obrigações, outros afazeres. Tenha paciência!

Fui meio indelicada com ele, eu sei, mas é outro que vou cozinhar em banho-maria.

Ontem, sem ver nem pra quê, abri uma cristaleira mixuruca para achar um copo - os de uso, de cristal pé duro, estavam todos na pia - e me deparo com uma xícara, sobrevivente única da espécie. Está velha, de faiança amarelada e está toda trincada em razão do tempo. Assim como eu. Não quebra, nem tem conserto. Tá virando papelim.

Foi esse o mote para lembrar da Dona Chiquinha Moreira, a benzedeira. Nunca esteve de todo esquecida. Cora Coralina e ela tinham semelhanças físicas e espirituais incríveis. Suas vozes pausadas e pastosas tinham sons de bondade, próprios das criaturas que nem só o tempo marcou.

Lá em Goiás Velho, na casinha da bica, tudo ficou mais claro. Tudo ficou mais acentuado. Cora e Chiquinha foram irmãs de tempo e ligadas pela ambição da simplicidade.

Cora de versos puros, em feitio de oração; Chiquinha de orações puras em feitio de poesia. Nos seus quintais as frutas do sobremesar. Em Goiás Velho, jaboticabeiras e pitangueiras, ali pertinho, era só descer a escada e apanhar. O da Chiquinha, era sortido de biribás, fruta do conde e gravioleiras. Docinhas, polpudas, daquelas que só têm graça comer se deixar a criatura se lambuzar.

Cora se projetou, encantou Drumond, conheceu outras terras e virou estrela, na melhor acepção da palavra. Minha Chiquinha, tinha cercas mais fechadas. Viveu sempre dedicada aos anjos e aos não tanto, minados pelos quebrantos, espinhelas caídas, fogos selvagens, landras, cobreiros e carnes trilhadas. Sem contar os mordidos de cobra e os pestilentos.

Galhos de vassourinha, folhas de pimenteira (se a doença fosse rebelde, usava as de malagueta), palmas de vim-de-cá, lavapés de crajirú, banhos de melão-caetano. Tudo do quintal, buscadas com cautela e oração para espantar o mal; fazer as jararacas morderem o próprio rabo e evitar o bote. Não importava o dia claro ou escurecido. Doente chegando na hora certa, lá se ia apanhar o verde apropriado, em voz alta rezando: "São Bento, água benta, Jesus Cristo no altar, o bicho que aqui tiver, afaste, eu quero passar".

De mim, reles assistente, às vezes necessitada, ela esperava o pensamento positivo, até o fechamento da cura. Me alegrava ver o menino que chegou de olho baixo, pescoço pendido, sair da reza esboçando um sorriso amarelinho, menos escangotado, deixando nas mãos enrugadas o ramo de vassourinha, murcho e quente, quase cozido. Quanto mais quente e murcho, mais valia teve a oração.

Rezas em adultos não me atraiam, por causa das pústulas, cheiros, caretas e gemidos altos. Era preciso esquentar compressas, procurar retalhos e linhas para costurar as carnes trilhadas. Pensamento positivo, tudo bem. Olhar, eram outros quinhentos. Ou virava de costas ou fechava os olhos e repetia mentalmente: "quê que eu curo? Cobreiro. Quê que eu corto? Landra". A oração da carne trilhada era bonitinha e tinha um ritual. Um pano era atado, e, ao ser costurado, ela dizia: "osso torcido, carne trilhada, agora eu coso, em nome de Deus e com a proteção de São Frutuoso".

Tinha gente que ia embora e não dizia nem um muito obrigada, que é de graça. Dinheiro, isso nunca! Rezadeira que cobra, a reza não faz efeito.

E a xícara, onde entra a xícara? Bem, é que na pobreza francisquinha, casa coberta de cavaco, sem cama, copos de latas de leite condensado, havia, só para destoar, um completo dessa louça originária da dinastia Ming.

Cora nos legou a riqueza de seus poemas; Chiquinha, um rastro de luz. Juntas, a beleza do ser simples e a importância de um lenitivo.
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Peciscas e Xistosa e demais leitores do Oficina:
GLOSSÁRIO:
Eu e Odele conversamos sobre a feitura de um glossário. Pensei que Odele não conhecia muitas palavras do meu livrinho. Qaul nada! Odele vive em São Paulo mas nasceu no Ceará, nordeste brasileiro.Vamos lá, no tocante a este texto, as palavras que merecem explicação:
SARARÁ - pessoa de cabelos vermelhos. Ruivo.
COLORAU - tempero feito de urucum, muito semelhante à Páprica doce.
BIRIBÁ - Fruta polpuda semelhante à fruta do conde. Ata da amazônia.
ROLLINIA MUCOSA.GRAVIOLA - fruta polpuda de exagerado tamanho, originária das Antilhas e bastante consumida na amazônia.
ANNONA MURICATA. Propaga-se que combate diversos tipos de câncer. Diz-se que o chá de suas folhas emagrece, elimina o ácido úrico, e etc. Quase milagrosa, a tal graviola.
FOGO SELVAGEM - pênfigo. É caracterizado pelo aparecimento de bolhas no tórax, rosto e couro cabeludo. Acomete pessoas de zonas rurais que moram próximo a rios. É uma doença bem própria da pobreza. O doente vira uma chaga viva e não resiste a contato com roupas. Muitas vezes dormem sobre folhas de bananeiras. No Brasil, salvo engano, há um único hospital que cuida dessa doença.
LANDRA - inflamação nos gânglios, adenomegalia.
COBREIRO - Herpes Zoster.
CARNE TRILHADA - contusão que causa estiramento dos tecidos.
A proxima crônica que porventura Odele venha a publicar, prometo, já ir com a listinha do significado das palavras estranhas aos amigos portugueses e brasileiros, também.

domingo, junho 08, 2008

ARTE - ENFEITANDO O MUNDO.

Trabalho realizado por Filipe, filho de Ray do blog Arte Autismo.

Trabalho realizado por Ray do blog Arte Autismo.



Porque gosto de arte, de flores e de pessoas doces, dedico este post à Ray, do blog
Arte Autismo. Ray é brasileira, mora no Rio de Janeiro e é mãe de Filipe, um rapaz autista que é também um artista, pois Filipe pinta, e através de sua pintura comunica-se com o mundo, desta forma tão bonita - através da arte. Ray, além de dedicar-se ao filho, acompanhando-o de forma constante, incentiva sua arte e escreve sobre autismo em seu blog. E não bastasse tudo isto, Ray também, faz arte com flores. Seus arranjos, belíssimos, podem ser vistos no blog. Para conhecer o trabalho de Filipe e Ray, basta clicar no link acima.
Ray e Filipe, muito obrigada, pois com a arte de vocês o mundo ficou mais bonito.

Um beijo.