Aqui no Brasil, comemora-se o Dia das Mães sempre no segundo domingo do mês de Maio. Por isso escrevi um texto que dedico à minha Mãe Julia, falecida há seis anos.
Mãe,
Sei que aí no céu onde você está, algo lhe ocupa o tempo, pois aqui embaixo você não conseguia ficar sem nada fazer, e mesmo depois de um dia de muito trabalho, enquanto você descansava, fazia suas maravilhosas toalhas de crochê. Mas, neste momento Mãe, por favor, pare um pouco seus afazeres junto a Deus e aos anjos, e leia esta carta que agora lhe escrevo, já que a última que lhe enviei não chegou a tempo de ser lida por você. Quando minha carta chegou, você já havia partido. Você foi bem cedinho, quando o sol ainda se mostrava tímido, e a manhã ainda era feita de frescor.
Como imagino você veja aí de cima, Fernando e Flavia cresceram. Ele se transformou num rapaz bonito, - parece que toda mãe diz o mesmo de seus filhos, era o que eu sempre ouvia de você. Fernando está cursando a Faculdade de Publicidade, trabalha como ator, e se relaciona com as pessoas com muita facilidade. O trabalho no teatro lhe fez perder aquela timidez de quando era menino.Gosto de vê-lo no palco, encarnando tipos diferentes dele mesmo e dando vida aos personagens que interpreta com emoção, com entrega e paixão. Fernando tem paixão pelo teatro Mãe, e fico contente por ele, já que ter paixão pelo trabalho que se faz é uma benção para qualquer pessoa. Ah! Mãe, Fernando também gosta muito de ler e escrever. Escreveu um texto tão bonito para Flavia, mas foi no final de 2005 e não foi possível lhe mostrar. Você partiu em Novembro de 2001, lembra?
Flavia infelizmente segue igual, ausente, inconsciente, em coma. Mas ainda assim tão linda, Mãe. Lembra de quando íamos lhe visitar e ela levava seus livrinhos e os lia para você? A leitura era a toda hora interrompida pelo chamado de uma amiguinha dela para brincar. E ela lhe dizia com aquele timbre de voz mimoso e delicado que toda criança tem:
– Vovó, vou brincar um pouco, volto já.
E voltava mesmo, você lembra disso, Mãe? Deve se lembrar sim eu imagino, pois você sempre se apegou às suas lembranças. Gostava de voltar no tempo, montava e me mostrava um cenário às vezes montado e mostrado repetidas vezes, até que, embora com receio de lhe magoar, eu lhe dizia que você já me havia contado aquela história. Então, não demorava muito e novamente você buscava em sua memória outra história para me contar. E assim, era como se você me tomasse pela mão e me conduzisse de volta à minha infância, me possibilitando juntar as peças de minha própria história. Mas hoje Mãe, as pessoas estão sempre muito ocupadas e não têm tempo para nos ouvir. Estão sempre com pressa e por isso pouco se conversa. Tempo para voltar no tempo? Ninguém tem. Eu já não ouço histórias e se alguma me vem à lembrança, contá-las...Pra quem?
Mãe, obrigada por todas as histórias que você me contou e por todas as coisas que você me ensinou.
Um beijo de sua filha que te ama muito. Receba também um beijo de seus netos Fernando e Flavia.
Feliz Dia das Mães.