sexta-feira, março 28, 2008

QUEBRANDO O SILÊNCIO.

Raramente uso este blog para escrever sobre o caso de minha filha Flavia, mas hoje vou usar, começando por lhes mostrar estra frase que certamente muitos de vocês já conhecem.
Martin Luther King
O QUE MAIS PREOCUPA,
NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS,
NEM DOS CORRUPTOS,
NEM DOS DESONESTOS,
NEM DOS SEM-CARÁTER,
NEM DOS SEM-ÉTICA.
O QUE MAIS PREOCUPA, É O SILÊNCIO DOS BONS"
Gosto muito destas palavras de Martin Luther King, já usadas neste blog tempos atrás. As pessoas são boas, honestas, de boa índole, mas silenciosas presenciam o desrespeito aos seus direitos ou aos direitos de quem lhes é próximo ou amigo. É o Silêncio dos bons.
Felizmente, e lhes sou grata por isto, muitas pessoas vêem se juntando a mim e à Flavia para quebrar o silêncio com relação à demora da justiça brasileira na condenação dos culpados pelo acidente ocorrido há 10 anos, e que deixou minha filha em coma vigil irreversível.
Hoje, meu amigo António, de Portugal, me coloca em um palanque para que além das palavras que venho escrevendo no blog Flavia, Vivendo em Coma, minha voz se faça ouvir. Vá até o blog PECISCAS, de Portugal, e ouça minha conversa com António. Junte-se a nós, deixe seus comentários e ajude-nos a quebrar o silêncio que em nada nos beneficia, pelo contrário, nos faz cúmplices da negligência e da impunidade.
Muito obrigada.

segunda-feira, março 24, 2008

ADOÇÃO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE HIV/SIDA.


Este post é um convite que lhe faço para ler sobre a adoção de crianças soropositivas. Vegana é mãe adotiva de uma menina contaminada e nos fala de sua experiência. Saiba mais, visite o blog SIDADANIA.

Obs: Pessoal, a palavra Sidadania aqui vem do nome do blog e está escrito com S porque se refere à SIDA termo mais comum em Portugal, para se referir a AIDS, termo este mais usado no Brasil.

segunda-feira, março 17, 2008

Post Sonoro 1 - A IMPORTÂNCIA DE UM ABRAÇO.

Gosto de abraços. Gosto tanto de abraçar quanto de ser abraçada.

Trago na memória uma cena que de vez em quando me leva de volta ao passado. Eu já contei isto no blog de Flavia.

Alguns meses após o acidente ocorrido com minha filha eu estava com ela no hospital, quando de repente a porta se abriu e entrou Elena, uma vizinha que morava no mesmo prédio que eu e meus filhos, mas que havia se mudado de lá. Elena me viu grávida de Flavia, e acompanhou seu crescimento, até que quando Flavia estava com 5 ou 6 anos, Elena com o marido e suas filhas, foram morar em outro apto. no mesmo bairro.
Tínhamos eu e Elena, uma gostosa relação de amizade e nossos filhos passavam muito tempo brincando juntos. Elena se mudou, mas o afeto entre nós continuou, no entanto, ela só veio a saber do acidente ocorrido com Flavia três meses depois. E foi ao hospital nos visitar. Eu não a esperava e ao nos defrontarmos, nos olhamos por alguns segundos e num pranto convulsivo nos abraçamos. Nenhuma palavra foi dita. Nem precisava, porque tudo foi dito naquele longo abraço.

Neste post sonoro, é disto que falo, da linguagem do abraço, que também pode ser usada - e deve - nos momentos felizes de nossas existências: O nascimento de um filho ou neto, sua formatura, o casamento e tantas outras alegrias, das quais, felizmente, também é feita a vida.




Quero agradecer ao meu amigo António do blog Peciscas pela delicadeza e paciência com que me ajudou e orientou na execução deste meu primeiro post sonoro. Obrigada António.

sexta-feira, março 14, 2008

A AMIZADE, QUE BONITA É!!

Com amizade e muito carinho, dedico este post ao RAUL do blog SIDADANIA.
Querendo retribuir algumas visitas e comentários deixados em meus blogs, estive hoje no blog do Bóris, O CAMINHANTE, de Portugal. O Bóris diz verdades em versos, de uma forma muito atraente e competente. Os versos abaixo foram escritos por Bóris para Raul, do Blog SIDADANIA, também de Portugal, que como muitos já sabem, tem como foco divulgar e informar sobre a SIDA/AIDS. Achei muito bonita essa demonstração de amizade e afeto de Boris para Raul, por quem tenho um imenso carinho. A amizade, mesmo que virtual, é algo que nos dá muita satisfação e pode significar conforto em horas de aflição.
Para quem ainda não esteve no blog do Bóris, transcrevo aqui na íntegra seus versos para Raul. Visite O CAMINHANTE e depois siga para o SIDADANIA. Eu indico.

"AO SIDADANIA, AO HIV E AO SER HUMANO QUE ACODE POR RAUL
Amigos, meus companheiros,
caminhantes como eu sou
dêm-me a mão porque inteiros
só seremos como eu estou

propenso a vos abraçar
e a partilhar vossa dor
e a não querer me separar
do vosso andar redentor.

Meus amigos eu sou vosso
bem pouco isso é verdade
mas podem ter a certeza
da minha sinceridade

que come comigo à mesa
e que procura claridade.
Todo o homem que se preza
só o é com amizade.

Que importa que o meu amigo
possa sofrer um castigos
e eu o amo de verdade
e quero ser seu amigo?

Raul, tu és Homem grande
que vive por muitas vidas
que vale a pena saber
as tuas penas sofridas

para acreditar que a vida
pode sempre renascer
e merece ser vivida. "
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Dica: O blog Beezzblog de nosso amigo Beezz, de Portugal, está passando por manutenção. Enquanto isto, Beezz está escrevendo em seu novo espaço o ÉTER. Visite-o em sua nova casa. Beezz vai gostar de recebê-lo.

Até o proximo post.

domingo, março 09, 2008

ÂNIMO, CORAGEM!


"Um dos mais elevados deveres humanos é o dever do encorajamento...É fácil rir dos ideais dos homens; é fácil despejar água fria no seu entusiasmo; é fácil desencorajar os outros. Temos o dever de encorajar-nos uns aos outros. Muitas vezes uma palavra de reconhecimento, ou de agradecimento, ou de apreço, ou de ânimo tem mantido um homem em pé." - Ou uma mulher.

William Barclay

sábado, março 08, 2008

BLOGAGEM COLETIVA - VALORIZAÇÃO DA MULHER.

Hoje, dia Internacional da Mulher, muitos blogs estão escrevendo sobre a Valorização da Mulher.
Toda e qualquer discriminação contra a mulher, aconteça ela no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é inadmissível e deve ser repudiada.

Sabemos que existem países em que a discriminação feminina chega ao absurdo de a mulher ser obrigada a caminhar atrás do homem, como se ela fosse inferior a ele. O Ideal seria que a mulher não andasse atrás ou à frente do homem, mas ao seu lado, e de preferência, de mãos dadas.
Os incentivadores desta blogagem foram:

sábado, março 01, 2008

A FRANCESINHA (crônica de Leila Jalul)

O Instituto São José, zelador que sempre foi da educação das meninas, tinha, dentre suas atividades, a encenação de peças teatrais. As freiras, por mais sisudas, por mais intolerantes, cuidavam da educação não só na base do quadro negro e da maestria do tablado. No meu tempo, o professor tinha a mesa sobre um tablado por dois motivos: enxergar o fundo da sala e ostentar o grau de superioridade.
“Olhem aqui, vejam a minha posição! Se fosse igual a vocês, estaria aí, sentado na carteira e com o rabo inquieto, com medo da reprovação. Mais respeito, ok?”
O colégio tinha visão. Teatro é instrumento de aguçar a criatividade, de soltar demônios, de trazer os pais para perto.
Nunca fui aluna do São José, mas morava parede e meia e, por justiça, mesmo não gostando muito nem de freiras, nem de padres, as irmãs gostavam de mim e me permitiam brincar de baleado e atuar nas peças memoráveis que lá aconteciam.
Numa data, não me lembro, havia uma tal de homenagem às Nações Unidas. Resolveram encenar um “espetáculo” com a presença de Portugal, França, Itália, (claro, elas eram em sua maioria italianas!) Brasil, Argentina, Alemanha, Índia, Estados Unidos e algum país da África, que integravam a aldeia global. O povo unido jamais será vencido!
Na primeira reunião – para definir elenco, texto, data, músicas, escolher biotipos, etc, etc, etc, - fomos chamadas. Éramos dez meninas olhadas de baixo para cima, de cima para baixo, que deveriam se encaixar nos papéis, de acordo as aparências étnicas. Como sempre fui audaciosa, já me escolhi para o papel de portuguesa. Me escolhi pela música e pelo fato de ter na minha avó Júlia, uma autêntica lisboeta do Ceará. A música era linda! Era a minha cara!
Só um pedacinho para não cansar ninguém:
“Minha terra pequenina,
meu querido Portugal,
tão linda e tão cristalina,
com um sonho de natal.
Onde o vento passa leve,
onde é dourado o arrebol,
onde há casinhas de neve
e roupas corando ao sol!”

- Irmã, eu quero ser Portugal!
- Não Senhora! Portugal vai ser a Solange. A senhorita vai ser a francesa.
- Eu, francesa? Não tenho nada a ver com francesa!
- Ou você vai ser a francesa, ou nada!

Eu já estava ganhando uma boiada, discutir o que?
Deixa a Solange, filha do Seu Silvio Ferrante, ser a portuguesa. Afinal, ela, branquela, tem as maçãs do rosto coradas pela neve

A música da francesa era podre:

“Pelas ruas de Paris,
num dia de chuva eu quis passear,
mas a chuva era tão forte
que eu me achei sem sorte
e correndo regressei.
Voltei, apesar da mágoa,
tal qual num frango d'água,
quase perco por um triz
meu vestido de veludo,
sapato, meia e tudo
por passear em Paris.
Oh! Paris, Oh! Paris!
que sonhos contigo fiz!”

A Solange, tímida como uma princesa medieval, virou alegre. Mas não tem nada não, Solange não dá rima, mas tudo bem!

Chega o dia do espetáculo. A roupa da Solange era o próprio espetáculo. Caprichada, coisa de mãe devota de filha (acho que o nome dela era Franscisquinha). Parecia uma pastorinha importada da Serra da Estrela diretamente para o palco do Instituto São José.
A roupa da francesa, de lamê barato, vermelho, com camadas de franjas da mesma cor, estilo melindrosa, impunham em mim, menina, a mesma cara da rima da Solange, que pensei se chamar Celuta. De tanta raiva, me restou ser o que me impuseram. A franja ajudava e, mostrando as unhas escarlates, tremeliquei tanto que mais parecia estar levando um choque de 400 volts.
No final, fomos aplaudidas de pé. A Solange, feliz por ser portuguesa, e eu, por ser francesa. Não guardamos ressentimentos e fomos crianças amigas e felizes.
Fizemos outras apresentações. Por sorte, não me tornaram atriz de uma personagem só. Numa peça de quaresma, fui Maria Madalena. Era a minha cara. Além de chorar e aguardar a ressurreição, minha fala era: “Ele ressuscitou! Ele ressuscitou!"
O que até agora não entendi foi um ovo pintado de vermelho que eu tinha que mostrar para provar a ressurreição.
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Esta crônica foi extraída do livro SUINDARA de LEILA JALUL.
Leila é a cronista acreana que nos comentários de um dos posts do blog de Flavia escreveu a crônica SE EU FOSSE que emocionou muita gente. Eu, mais que todos. Transformei o comentário de Leila num post. Para ler SE EU FOSSE, esta crônica de Leila dedicada à Flavia, clic nest link.

Eu e Leila ficamos amigas e me encanto com a intimidade e a desenvoltura que ela tem com as palavras. Suas crônicas, excetuando-se aquelas que o assunto exige mais seriedade, são escritas com um bom humor que me cativa, pois bom humor é qualidade que aprecio muito nas pessoas. Morro de rir ao ler a maioria das crônicas de Leila. E não nos esqueçamos de que na vida, haja o que houver, venha o que vier, sorrir é preciso.

Um beijo, Leila!