Obrigada por visitar minha Oficina. Entre, fique à vontade. Ao trabalhar com as palavras, tanto podemos falar de amor como exorcizar a dor. Em ambos os casos,ter quem nos leia é fundamental.
O britânico Nicolas Winton (19.5.1909) salvou a vida de 669 crianças judias, resgatando-as da antiga Tchecoslováquia dominada pela Alemanha nazista, pouco antes da segunda guerra mundial. Com seu gesto, Sir Nicolas Winton, livrou aquelas crianças da morte certa nos campos de concentração nazistas e fez – silenciosamente – um mundo melhor para todos nós.
A história desse homem incrível foi contada no programa Fantástico da rede Globo em 23/12/2007.
Conhecer um HOMEM feito Nicolas Winton, é uma lição de vida, um alento, uma esperança e a certeza de que com uma atitude, um gesto de amor, é possível sim mudar e tornar melhor o mundo em que vivemos.
COM VOCÊS, SIR NICOLAS WINTON.
Quero agradecer ao meu ex colega de trabalho Paulo, por ter me enviado por e-mail, a história de Nicolas Winton.
Obs: Em alguns lugares encontrei a grafia de seu nome como sendo Nicholas e em outros Nicolas.
Esta foto, que acabei de tirar de minhas flores, eu dedico a todos que por aqui passarem, com o meu desejo de um bom fim de semana.
As mais floridas são as Primaveras que já vi que em Portugal chamam de Buganvília. A Primavera lilás tem a flor mais miudinha e delicada, já a vermelha é mais exuberante.
Mais abaixo pode-se ver também flores de Azaléa, Gerânio, Coloméa e Maria -Sem -Vergonha. (nome popular)
“Cine Biriba” de Leila Jalul vai se transformar num curta metragem, pois foi aprovado por uma Fundação Cultural do Acre, terra Natal de Leila. A Fundação é a Garibaldi Brasil. Aguardemos!
Ficava no Papoco, o bairro da nossa mais famosa zona de meretrício. Máquinas velhas, surradas, que muito custaram para que seu Artur e Dona Rita, avós do vereador comunista Márcio Batista, exibissem as películas da época.
A localização do meu recanto da sétima arte era infame: um casarão de madeira, quase lúgubre. Pra que lá se chegasse, ou se atravessava a entrada principal do Papoco, com lama beirando os joelhos, caminhando os cento e poucos metros lotados de doidivanas e quengas encrenqueiras, ou se dava uma volta enorme pela Rua Rio Grande do Sul. Segui sempre pelo caminho mais curto. Eu tinha "green card".
Oscarito, Grande Otelo, Adelaide Chiozzo, Dercy Gonçalves, Cantinflas, O Gordo e o Magro, Anselmo Duarte. Tudo ali. Todos ali. Não havia censura nem precisava pagar ingresso.
Chegado o inverno, um só filme era repetido todos os dias. Vinte, quarenta vezes... Quem se importava com isso? O filme era supimpa mesmo!
E foi assim com "O Ébrio". Era um silêncio sepulcral, nada importando o tempo que estivesse "estreando".
"Nasci artista, fui cantor... Ainda pequeno, me levaram para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória... Tive vários amores... Todos eles me juraram amor eterno, mas acabavam fugindo com outro..."
Calados, nós, assíduos, apenas escutávamos uns fungados e o assoar nos lenços duros, as secreções de dor dos atingidos pela desgraceira.
"Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor... Essa jovem veio a ser, mais tarde, minha legítima esposa... Noutra noite, quando eu cantava 'A Força do Destino', ela fugiu com outro, deixando-me uma carta e, na carta, um adeus..."
Vicente Celestino em cena do filme "O Ébrio"- 1946
Uma tarde-noite de chuva, muita chuva, lá estávamos eu, Seu Edmundo, Seu Mamede Caboclo (avô do Itany) e Seu Alfredinho. Só nós quatro e o operador do qual não lembro o nome. O cara - o operador - fumava feito uma caipora. No facho de luz, até onde estava a tela, surgia aquela nuvem fedida do Continental sem filtro. Haja pulmão! Mesmo assim, lá estava o corno embriagado, que dizia:
"Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de meu eu: a minha filha, uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar..."
O Edmundo continuava chorando e assoando o nariz. De minha parte, era tanto e convulsivo o choro que, não raras vezes, a titela se encontrou com o couro do espinhaço.
"Voltei novamente a cantar, mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça e bonita... Até que numa noite, quando eu cantava mais uma vez 'A força do destino', Deus levou minha filha, para nunca mais voltar... Daí para cá, eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa..."
Foi nesse exatíssimo momento que o cinema parou. Edmundo deu um soluço tão forte, tão forte, que desmaiou. E ouviu-se um pequeno estalido de um objeto caindo. Ao menos eu ouvi. Mas não houve tempo para a preocupação de saber o que foi. Isso era de somenos. Recuperados, voltamos a ver o filme, que já estava na parte do canto-opereta que dizia:
"Falsos amigos, eu vos peço e imploro a cantar. Quando eu morrer, na minha campa nenhuma inscrição. Deixai que os vermes, pouco a pouco, venham consumir este ébrio triste, este triste coração... Quero somente que na campa onde eu repousar, os ébrios loucos como eu venham depositar os seus segredos em meu derradeiro abrigo, e suas lágrimas de dor ao peito amigo..."
The End!
Cada um para suas casas, ou, de preferência, para o boteco mais próximo. Seu Mamede Caboclo reclamou que, enquanto atendia o Edmundo durante o desmaio, deixou escapar a dentadura. Nunca mais a encontrou. Também, pudera, só ele gozava da cara do Edmundo. E era o Edmundo que limpava o Biriba...
Depois dessa película, outra, de grande poder destrutivo, foi exibida pelo resto do inverno: "Coração Materno".
"Disse o campônio à sua amada: Minha idolatrada, diga-me o que quer. Por ti, vou matar, vou roubar. Embora tristezas me causes, mulher. [...] Por ti, não me importa matar ou morrer [...] Se é verdade tua louca paixão, parte já e, para mim, vá buscar, de tua mãe, inteiro o coração. [...] Chegando em casa, o campônio encontra a mãezinha ajoelhada a rezar. Rasga-lhe o peito, o demônio, tombando a velhinha aos pés do altar."
Velho Cine Biriba. Quantas lágrimas! Quanta alegria! Quanta vida! E uma dentadura perdida...
LEILA JALUL, CRONISTA E POETA ACREANA.
E para melhor ilustrar esta gostosa crônica de Leila, veja e ouça Vicente Celestino cantando "O Ébrio"