sexta-feira, setembro 07, 2007

O AMOR E O TEMPO.

Tinham sido apaixonados quando jovens, mas isso já fazia muito tempo. Os anos passados levaram de ambos o viço da juventude, e os corpos que abrigavam suas almas, mostravam-se agora desprovidos daquela beleza que costuma chamar a atenção à primeira vista. E agora o susto. Um reencontro inesperado, sem aviso prévio e sem hora marcada, os colocava ali, um diante do outro, sem a proteção da distância que os vinha mantendo um na memória do outro, com a mesma aparência física de quando ambos tinham ao redor de 30 anos. Hoje, passavam dos sessenta. Estavam envelhecidos. Um constrangimento sem sentido os fazia desviar o olhar dos cabelos já com muitos fios brancos, e da pele do rosto mostrando algumas rugas, mesmo sabendo eles que cada vinco, representava uma experiência vivida, uma emoção sentida, uma luta vencida. Mas estavam envelhecidos.

Com a rapidez que o pensamento permite, reviveram ali, um diante do outro, a paixão que os uniu na juventude.Tão intensa havia sido essa paixão. O que será que lhes restara do tempo em que o sangue lhes fervia a um simples toque das mãos, a um leve roçar dos corpos..? Mas não, não deveria esse ser o momento de voltar no tempo em busca de algo talvez para sempre perdido. Precisavam se agarrar ao presente, ao ali, ao agora. Outra vez olharam para seus corpos e outra vez constataram. Sim, estavam envelhecidos.

Algumas coisas, no entanto não mudaram nele. Os olhos continuavam lindos e a voz ainda a encantava. Ele mencionou que o sorriso dela continuava bonito. E assim, mais descontraídos e distraídos da própria aparência física, puseram-se a conversar. Ele quis saber como ela estava, o que fazia, como vivia. Ela lhe perguntou sobre o trabalho, sobre a família, sua saúde.... Falaram sobre os livros que ambos leram, os filmes que assistiram. Falaram sobre política, religião, economia, filosofia.... O tempo parecia curto para o tanto que tinham a falar um com o outro, para o tanto que desejavam ali ficar e conversar, e conversar... Perderam a noção do tempo, e felizes perceberam que o prazer que sempre sentiram em conversar, ao contrário do que havia acontecido com seus corpos, esse prazer não havia sido afetado pelo tempo. Esse prazer, em nada havia mudado, pelo contrário, continuava igual, talvez até mais aguçado.

Já se fazia tarde. Ele insinuou um até logo, mas parecendo reticente em partir, depois de alguns passos sentou-se no primeiro banco de jardim que encontrou. Ela, receando perdê-lo outra vez de vista, mantinha-se à pequena distância, e de repente decidiu que não mais se afastaria dele, que continuariam a conversar até o fim dos tempos. E olhando para ele sentado naquele banco de jardim, aproximou-se, aconchegou-se, e ali ficou. Desde então, passaram-se muitos e muitos anos, mas ainda hoje as pessoas costumam ver dois velhinhos de mãos dadas caminhando pelos jardins daquele parque. Conversando. É o que fica do amor, que sem o prazer de uma conversa, com o tempo acaba. Ou se transforma em quase nada.

10 comentários:

C Valente disse...

Lindo, o amor é belo, beleza não é formosura, beleza é interior
Formosura é exterior
Saudações amigas com beijos

david santos disse...

Belo, querida amiga, belo. O amor só tem coisas lindas.


Los padres de Madaleine Macanne fueran constituidos argüidos, por eso san sus pechos de la muerte de su hija.
Últimas declaraciones de la policía portuguesa sobre este caso que tanto tenemos hablado estos últimos 4 meses.
Yo no credo que sea verdad, pero siendo verdad? Que Mundo es este en que nosotros vivimos?

David Santos

Jorge P. Guedes disse...

É demasiado difícil saber-se o que é o amor entre dois seres.
Cada pessoa senti-lo-á à sua maneira.
E há tantos tipos diferentes de sentimentos que se podem confundir...
Não, não vou tentar sequer defini-lo.
Mas duvido que, quando existe, se possa transformar num quase nada, apenas pela erosão provocada pelo tempo.

Um abraço para as duas, claro.

Anônimo disse...

Bonito, aqui deixo Odele de um seu compatriota:

Mude,

mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!
Edson Marques

Jorge P. Guedes disse...

Um abraço para ambas.

C Valente disse...

Passei e deixo as minhas saudações.
Saudações amigas com um beijo

Miguel disse...

Odele,

Foste distinguida com o Certificado dos melhores momentos virtuais.

Passa n´A Minha Matilde & Cªpara levantares o teu prémio.

Um BOM FDS!
Bjks da M&M & Cª!

C Valente disse...

Boa noite bom fim de semana
Saudações amigas com beijo

rendadebilros disse...

A foto que acompanha os meus comentários ou eu mesma... há muitos anos...em S. Martinho do Porto.

Jorge P. Guedes disse...

Passo e deixo o meu duplo abraço.