domingo, abril 22, 2007

CONVIVENDO COM PERDAS.

"Ausência", é de autoria de Margusta do blog Pinturas de Margusta

Na Revista da Folha – Jornal Folha de São Paulo de hoje, há um artigo que me tocou. O texto foi escrito por Francisco Daudt e fala da dor de uma mãe que perdeu seu filho de 20 anos em um acidente de carro. A mãe questiona se um dia sua dor pela perda do filho vai passar, ao que Francisco Daudt responde: NÃO. NÃO VAI PASSAR.

O artigo não é longo, mas o autor toca fundo. Me tocou. E não só pela sensibilidade que Francisco demonstra ao tratar deste tema, como também pelas verdades contidas no que ele escreve. Gostaria apenas de acrescentar aqui, que a perda de um ente querido não é causada apenas por sua morte. Essa perda também é real no caso de acidentes graves como o que ocorreu com minha filha Flavia, em coma há mais de nove anos, quando aos dez, ela teve seus cabelos sugados pelo ralo da piscina onde nadava.

A diferença – é assim que penso - entre a perda causada pela morte e aquela causada por um acidente que deixa a pessoa viva, mas com limitações severas e às vezes em sofrimento, é que no primeiro caso, a partir do momento em que nosso ente querido morre, no instante seguinte nós já começamos a trabalhar essa perda. No segundo caso não, isto não é possível, porque a pessoa continua conosco, diariamente. Não partiu e nem ficou por completo. E ver nosso ente querido em condição de sofrimento constante e diário é muito doloroso e também uma perda constante e diária. No entanto, se nada houver que possamos fazer a respeito para melhorar esta situação, só nos cabe cuidar da pessoa com muito amor e da melhor forma que nos for possível, para que enquanto nossos entes queridos, sejam avós, pai, mãe ou filhos, estiverem entre nós, mesmo na sua tênue maneira de viver, que passem seus dias com o que for possível de qualidade de vida e com dignidade. E que essa dignidade esteja também presente em nossas atitudes para com eles.

6 comentários:

margusta disse...

Olá Odele!
Na realidade, deve ser muito díficil conviver com um ente querido que vive ausente...alheado da realidade!...Deve ser muito duro mesmo!...Só com muito amor é que se consegue viver e ultrapassar uma situação assim!...mas como na tela, a Fávia tem sempre umas mãos que se lhe estendem...as suas, as de todos os familiares que a amam , assim como de todos os amigos que lhe são queridos...nisso eu tenho a certeza!...

Obrigada pela escolha do meu trabalho para ilustrar este post, que tanto nos faz pensar!

Um beijo grande para a Flávia, e outro para si!

Isabel Filipe disse...

... é tão dificil falar de perdas ...
sobretudo quando são inesperadas e injustas ...

... e as mães que passam por isso ???
é contra natura ... eu sei o que é ... pois a minha passou por isso ...


beijinhos

leituras disse...

É por isso que o poeta Vítor Cintra diz, com toda a propriedade, que são grandes, as mães. "Enormes!"

Boa semana

Lenise Toledo disse...

Olá Odete Souza! Buscava pelo meu Blog na google e me deparei com o seu, o que não foi por acaso, pois gostei muito do que vi. Lamentei muito sobre sua história, sobre sua situação, mas, ao mesmo tempo fiquei enternecida com sua luta, coragem, determinção em não se deixar render ao amor. Amor por um filho é a coisa mais linda do mundo.Continue, não desista nunca dela, ela é sua força maior. É a mola que lhe move. Abraços!

Lenise Toledo disse...

Queria também, aproveitar a ocasião para saber a respeito desse anuncio, sobre crianças desaparecidas. Pois estou querendo colocar no meu Blog, mas até então gostaria, de saber sobre a veracidade, até onde isso realmente não nos compromete no que tange a danos ao Computador. Se possível me dê um retorno a esse respeito. Desde de já, agradecida!

Anônimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!