segunda-feira, agosto 17, 2009

MENDIGOS E A EXPLORAÇÃO DA BONDADE ALHEIA.

Capa da revista Veja São Paulo - Edição 19 de Agosto de 2009

“Para ganhar dinheiro fácil, pedintes fazem de tudo nas ruas da cidade, até se passar por paraplégico”
A Revista Veja São Paulo em sua edição mais recente, publicou uma matéria sobre a mendicância em São Paulo. Pessoas que fazem do ato de pedir esmola, uma profissão aonde chegam a ganhar até 100 reais por dia. A excelente reportagem, de nove paginas, foi feita por Fábio Soares que durante dois meses seguiu sete mendigos, de seus pontos de mendicância até suas residências e documentou - a rotina diária de cada um deles:
Por exemplo, um homem fingindo ser paraplégico (o da foto acima)
- “O pedinte que se identifica como Pedro Corrêa (na cadeira de rodas) na Rua Eça de Queiroz na Vila Mariana., recebe esmola, no dia 5, às 13h11... e às 14h10 empurra sua cadeira de rodas a menos de 100 metros do local onde faz ponto” Ao final do dia, quando trocava as moedas arrecadadas por mais graúdas, ao perceber que estava sendo fotografado, o homem tentou agredir o repórter. “Ele veio pra cima de mim e tive de correr. Achei um feito e tanto para uma pessoa que passa horas e horas esmolando numa cadeira de rodas e se diz impossibilitada de andar”
- Uma aposentada de 85 anos que após contar o que arrecadou durante o dia passa no supermercado “Pão de Açúcar” e entre suas compras inclui chocolates, azeite português e até ração para gatos.
- O homem que pede esmola com uma placa de desempregado e após seu “expediente”enrola a placa e sai falando no celular.
- O Consultor Imobiliário que bem vestido, pratica a “mendicância chique” aplicando o golpe de pedir dinheiro para o ônibus.
- A mulher que vem de um bairro distante e se assenta com seis filhos e uma neta na Rua Oscar Freire, em frente às lojas de grifes sofisticadas.
E por aí vai.
Por esses exemplos vemos que a imaginação dos pedintes não tem limites. Há uma semana eu mesma fui abordada por uma mulher dentro do supermercado Pão de Açúcar, no bairro onde moro. Dizia ela ser aidética e acabei lhe dando sete reais. Arrependi-me, mas esta história eu conto depois.
O fato é que depois de ler esta reportagem de Fábio Soares, espero nunca mais ceder à tentação de ajudar essas pessoas que fazem da mendicância uma rentável profissão.
Boa semana a todos.

6 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Por cá é a mesma coisa. O meu marido conhece um que vai levar a mulher ao "ponto" de carro e passa depois a apanhá-la no fim do dia também com o carro. Eu nem queria acreditar quando ele me contou. Mas ele diz que já viu várias vezes. E a história da mulher é que o marido está desempregado e tem dois filhos pequenos com fome. É claro que ela sabe que crianças com fome é das coisas que mais comove o povo.
Um abraço e uma boa semana


Amiga queria pedir-lhe um favor. Você disse no Sexta que votou em mim para o concurso. Importa-se de confirmar o voto? Lá no blogue da Susana.
http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/
Vota-se na caixa na lateral. Se votou correctamente vai estar um pontinho dentro da bola que não a deixa votar de novo. Senão conta o voto agora.
É que parece que muitas pessoas, carregam no nome na lista dos participantes e isso não regista o voto. Eu tenho indicação de 13 votos. Mais o meu o do filho e irmãos devia ter 18 votos e só tenho 9.
Um abraço e obrigada

Fatyly disse...

Esta notícia bem documentada, o mesmo deveria ser feita em Portugal, porque jamais dou dinheiro a quem pede e se dizem que têm fome, entro num café e pago o que comem, mas têm de comer à minha frente.
Por vezes ponho uma simples moeda a quem toca guitarra ou outros instrumentos, uns deliciosos, outros nem por isso, mas mostram o que sabem fazer!
Durante trinta anos de serviço e no percurso no comboio daqui até Lisboa e volta, nas escadarias do Rossio (terminal) e pelas várias ruas de Lisboa vi e soube de casos ABERRANTES porque segui, porque vi, porque ouvi e por vezes até os interpelei! UMA VERGONHA!!!!

Só um exemplo de há uns anos: uma mulher 30/35 anos com 5 filhos fazia a viagem percorrendo as várias carruagens. Um dia bateu nos dois mais novos, um deles de colo e pedia porque choravam com fome. Eu nem queria acreditar no que via e num salto, um senhor que ia no banco da frente, trava o comboio soltando o manipulo do alarme, não a deixou fugir apareceu logo a polícia e resumindo: ela pagava aos pais dos miúdos para andar na mendicidade todo o santo dia com eles, já que nenhum era dela.
Mais tarde soube que tinha sido detida e as crianças tiradas aos pais porque eram farinha do mesmo saco e nunca mais vi a dita mulher.

Não cedo à tentação de ajudar e quando ajudo é de outras formas já por mim ditas nos vários posts e comentários que vou deixando.

Beijos garota linda do lado de cá do oceano

peciscas disse...

Em grande parte dos casos, a mendicância é mesmo um negócio. E, por vezes, bem rentável.
Já ouvi mesmo falar de casos em que uma esquina de grande cidade mais movimentada, pode ser negociada e vendida por bom dinheiro. para alguém ficar aí a mendigar. Ou seja, um esquina lucrativa pode ser trespassada de mendigo para mendigo.
Aqui, em Portugal, há bastantes famílias de emigrantes de países de leste, que põem os filhos pelas ruas, para pedirem esmola. E vivem disso.
Os expedientes, são mesmo variados.
No passado sábado, fui ao Porto. Quando estava, na principal avenida da cidade, a observar uma exposição de rua, apareceu uma mulher, com uma criança ao colo, que começou por lamuriar algo que não entendi. Como continuassemos o caminho, ela foi mesmo agressiva, gritando que, pelo menos, devíamos parar.
Então começou a dizer que precisava de dinheiro para uma bilha de gás.
A minha mulher, já estava a pensar em ceder ao apelo. Mas eu, por princípio e por experiência de vida, recusei. Já estou farto de saber que ali não havia bilha de gás, mas droga...
Prefiro ajudar organizações humanitárias e de solidariedade social que me mereçam confiança. Pode ser que, com esta postura possa ser, algumas vezes, injusto. Mas prefiro correr esse risco do que contribuir para algumas pessoas ganharem dinheiro sem grande esforço ou para outras sustentarem vícios negativos.

Letícia Losekann Coelho disse...

Nossa Odele, que barbaridade né? Bem... Eu nào dou mais esmola não sabe? Se dermos para todos que nos pedem acabamos ficando sem dinheiro!
Mas achei muita sacanagem desse cara se fingindo de paraplégico, muita mesmo!
Beijos menina

Fatyly disse...

Vim dar os parabéns pelo novo template deste teu espaço. LINDISSIMOOOOOOOOOOOOO e como gosto daquele "pápa-formigas" a escrevinhar:)

Mudaste e fizeste muito bem porque ficou um "must".

Beijos

Davy Sales disse...

Interessante... Mas a matéria de Veja, como é de praxe, é tendenciosa. Obviamente há muitos exploradores da bondade alheia mas, convenhamos, não há mal nenhum alguém optar por viver um estilo de vida não-sedentário, não-consumista e não-burguês: alguns desejam ser nomades urbanos, vadios, ociosos - que a sociedade não os criminalize e os deixe viver em paz.